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A atleta e o seu espaço
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- Categoria: Gestão do Desporto
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A gestão de recursos humanos é uma das funções que na gestão de um clube assume a cada dia uma maior importância, sendo necessário actuar com grande preocupação nesta área, porque a prestação final do nosso serviço é feito por pessoas e para pessoas. Neste contexto, o atleta é o activo principal do clube porque é ele que presta o serviço desportivo em competição e também é o principal cliente do serviço desportivo em formação. |
Esta dupla intervenção, não necessariamente assumida pelo mesmo individuo mas pela mesma classe, leva-nos a repensar todos os factores que condicionam o seu resultado, assumindo o espaço, o local de treino e competição, uma importância cada vez mais destacada.
A instalação desportiva é o espaço de trabalho do atleta.
Numa época em que globalmente se efectuam grandes investimentos no sector do desporto (de formação, de competição ou de entretenimento), as atenções centram-se em variados aspectos que podem inequivocamente contribuir para uma melhoria dos resultados dos atletas.
Depois de ter provado com sucesso que existe uma relação muito próxima entre a qualidade da gestão que é praticada num clube desportivo e os resultados desportivos que os seus atletas alcançam, é importante salientar que o espaço onde os atletas desenvolvem o seu treino e competição é também determinante desses resultados.
Por outro lado, é hoje universalmente aceite que a “instalação desportiva” já não se resume ao espaço de jogo, mas antes a todos os espaços de uso principal ou acessório onde podem ser implementados serviços directos ou complementares relacionados com a oferta de serviços do clube.
Esta visão global obriga a repensar os espaços e a adequá-los ao seu uso, tendo como determinante que a agradabilidade e usabilidade do mesmo, condicionarão a qualidade dos resultados alcançados e os aproximará do que foi projectado.
Que espaços?
A preocupação com os espaços, e numa perspectiva de investimento em arquitectura de interiores, deverá evoluir do campo de jogo (espaço principal) para os espaços “menos importantes” como o parque de estacionamento ou mesmo as vias de acesso ao clube.
Assim, imediatamente anexo ao espaço de jogo deve ser dada especial atenção aos balneários, espaço fundamental na preparação e rescaldo do jogo.
Na opinião de Alexandra Morgado, arquitecta que actua no âmbito da arquitectura de interiores, “A recente polémica sobre as imagens no corredor de acesso aos balneários dos visitantes no estádio do Sporting Clube de Portugal, veio trazer a público a questão da influência dos espaços sobre as pessoas e sobre os seus comportamentos, à qual a PlanKi (architecture and space consultant) sempre se dedicou e, nos últimos anos com especial atenção para os espaços desportivos.
Há neste caso, e seja qual for a posição a favor ou contra, um reconhecimento implícito da influência que o espaço – a sua aparência e a sua imagem – tem sobre as pessoas. É isso que levou a direcção do Sporting Clube de Portugal a utilizar imagens no corredor e por essa razão também há quem considere que incitam à violência e devem ser retiradas.”
Através deste caso nota-se claramente que é determinante centrar a nossa atenção em todo o detalhe na medida em que o serviço desporto é produzido por pessoas e para pessoas, e nós pessoas, somos falíveis e influenciáveis.
Influenciar comportamentos
Encontrar forma de influenciar, seja as próprias equipas, seja as equipas adversárias, pode muito bem encontrar justificações do foro psicológico ou apenas numa estratégia de marketing ou outra qualquer sem intenções conexas.
Mesmo assim, é evidente que, para além da escolha dos materiais, proporcionando todo o conforto e satisfação das necessidades dos jogadores nos balneários, a decoração em termos gerais, as dimensões, as cores, a intensidade da luz, tudo influencia os atletas num momento de especial fragilidade que é o “antes e após” jogo.
“O QE tem que ver com saber levar as outras pessoas a procederem de determinada forma; neste sentido, ocupa um lugar fundamental na gestão. O QE não é sinónimo de comando e controlo. O objectivo é levar as outras pessoas a procederem de determinada forma e de boa vontade, independentemente do facto de se ter ou não um controlo formal sobre elas.” (Owen, 2008, p. 78)
Neste âmbito destaco em especial uma proposta da PlanKi, que nas palavras da arquitecta Helena Carqueijeiro, “se baseia na psicologia dos espaços e no feng shui, e indo mais longe, defende que o espaço, desde a sua estrutura até aos aspectos mais subtis relacionados com a luz, a cor ou até mesmo o cheiro, influencia e condiciona os comportamentos e as performances de indivíduos, de grupos e de empresas, promovendo o bem-estar e potenciando qualidades. O espaço é o segundo factor mais importante de uma empresa e, por isso, deve ser pensado, intencional e acautelado.”
O papel do gestor desportivo
Do mesmo modo que a gestão é hoje assumida por uma equipa encabeçada pelo seu líder que é catalisador de todo o processo de gestão - o gestor, o serviço desportivo que o clube oferece resulta da intervenção da totalidade das pessoas que nele participam.
Neste contexto, e na impossibilidade de o clube ter ao seu dispor elementos especializados em todas as áreas onde pode – e deve – intervir, a contratação externa de especialistas é a solução.
A gestão desportiva deve ser abordada como a de qualquer outra empresa mas encontra maiores dificuldades porque os seus recursos principais são os desportistas que participam na implementação do serviço. É complicada e difícil de executar porque os recursos mais importantes e dos quais depende mais o clube, são os recursos humanos (os desportistas), e os resultados do clube dependem do seu desempenho físico e mental, sob pressão!
Nesta medida, é fundamental proporcionar todas as condições para que os atletas melhorem o seu rendimento.
A intervenção no espaço deve ser uma prioridade, na medida em que grande parte dos clubes portugueses possui instalações antigas e pensadas à luz de uma realidade que há muito se desactualizou.
Neste sentido, refere Alexandra Morgado, “As imagens no corredor ou nos balneários exercem seguramente influência sobre as equipas que os utilizam, mas estamos conscientes que nenhum outro revestimento, apesar de aparentemente mais inócuo e menos incómodo, seria completamente isento de consequências.”
Pode tratar-se de uma estratégia para motivar a equipa da casa ou desmotivar a equipa adversária e, neste âmbito, não me cabe a mim julgar intenções.
Cabe sim, chamar a atenção para o detalhe necessário na concepção e adequação do espaço desportivo ao seu uso, ao fim que se destina.
Hoje em dia fazem-se investimentos muito elevados em atletas e equipas desportivas e parece-me que, negligenciar um factor que pode condicionar o desempenho desportivo de um atleta, é pouco profissional.
Para finalizar, remata Helena Carqueijeiro, “Temo-nos dedicado à análise de estádios de várias equipas europeias e sul americanas e temos constatado que existe uma relação muito estreita entre o clube e a sua casa – o seu estádio. Ao direccionar a atenção dos clubes, das organizações desportivas e do público em geral para a importância do espaço nos estádios de futebol, a questão das imagens do corredor do Sporting está, sem dúvida a abrir as portas para uma discussão mais alargada”.
BIBLIOGRAFIA
Owen, J. (2008). O perfeito Manual de Gestão. Lisboa: Editorial Presença.
Morgado, Alexandra e Carqueijeiro, Helena (2012) – Entrevista conduzida pelo autor
Pode fazer download deste artigo em PDF na secção de Artigos Grátis.
Vale a pena pensar nisto...
“Conventional marketing wisdom long held that a dissatisfied customer tells 10 people. But… in the new age of social media, he or she has the tools to tell 10 million.”
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