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E se, de repente, o mundo não fosse diferente?
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- Categoria: Marketing
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Não receberia 100 novos emails por dia com 50 novas ideias de produtos prontos a tornar a minha vida muito melhor… não saberia de 3 novas catástrofes, 10 novas mortes estranhas, 20 novas situações insólitas, em cada dia. |
Sem 300 novos posts no facebook e 10 novos amigos a cada dia, 30 novas promoções nos hipermercados e 5 novas cartas de publicidade, será que mesmo assim, o mundo, não sendo diferente, poderia ser igual?
E nesta igualdade, será que teríamos tempo para parar e pensar?
No emaranhado de virtual e real, digital e analógico, futuro e passado que é a comunicação moderna, é preciso, de tempos a tempos, forçarmos uma paragem para podermos ponderar, avaliar e questionar o que fazemos, como fazemos e sobretudo porque fazemos.
A evolução tecnológica está aí e vivemos um momento de explosão sem precedentes. Em poucos anos ultrapassámos os “fantásticos” relógios digitais de 4 números de grandes dimensões, que inclusivamente indicavam a data (!), até chegarmos aos verdadeiros computadores de mão com inúmeras funções, autênticos gestores privados digitais.
A velocidade a que vivemos hoje em dia constitui um paraíso para os marketeers, que encontram terreno fértil para lançar as suas ideias em catadupa.
Novos produtos são lançados todos os dias, produtos antigos são relançados das mais variadas formas procurando esticar um mercado que cada vez se mostra mais exigente, por um lado, mas muito mais permissivo por outro.
A intrusão permitida pelo email marketing ultrapassa em larga escala o conceito de violação de privacidade, sendo usados todos os truques para, mesmo após solicitação expressa de “não me incomodem mais”, enviar um “último email” a informar que o “pedido foi recebido e que, se ainda estiver disposto a ser novamente incomodado por nós, agradecemos e ainda oferecemos um brinde e a oportunidade de ser ainda massacrado de novo com mais uns quantos emails”.
A parte menos sensível da legislação do email marketing é permitirem que qualquer empresa em qualquer parte do mundo se apodere do meu contacto de email e me envie o conteúdo que muito bem lhe apetecer, sem porventura saber se estarei interessado ou não no mesmo. Isto tudo ressalvado pela exigência de figurar no corpo do dito email uma instrução de remoção da suposta lista.
Cabe-me colocar a pergunta: Se não pedi para ser incluído nesta lista, porque tenho de ter o trabalho de clicar, visitar o site, inserir o meu email e um captcha para não me incomodarem mais com comunicações que não pretendo?
A ciência do Marketing cresce hoje em dia desmesuradamente com o firme sentido de vender às pessoas aquilo que elas não precisam porque as empresas, essas sim, precisam de vender a todo o custo. Muitos e bons profissionais de marketing desempenham de modo eficiente o seu trabalho e conseguem colocar comunicações capazes no mercado. Muitos mais são aqueles que inundam o mercado de barulho e falsas promessas, lançando “50 novas ideias de produtos prontos a tornar a minha vida muito melhor…”.
A este ritmo torna-se muito complicado para o consumidor decidir em consciência, quer pela velocidade de informação em si, quer pela quantidade e, muitas vezes, fraca qualidade.
Depois do lançamento do iPad, estando ainda uma boa parte do mercado sem saber, em boa verdade, “para que serve este novo gadget”, lança-se o iPad2, que faz muito mais coisas que o anterior, ou pelo menos de forma mais dinâmica, colorida e moderna. Resta saber se o consumidor que não teve oportunidade de experimentar o iPad, terá a facilidade de compreender os avanços tecnológicos do iPad2 sem antes ter sido “iniciado” no conceito.
A evolução é um comboio em permanente andamento no qual todos entramos a meio da viagem. Quando a velocidade é moderada, temos forma de entrar, procurar um lugar e acomodarmo-nos para a viagem. Quando é demasiada, corremos o risco de ser cuspidos para fora mesmo antes de encontrarmos o nosso lugar. Preocupa-me actualmente que na parte do mundo dito desenvolvido, o comboio tenha ganho nos últimos anos tal velocidade que muitos não tenham capacidade para o apanhar.
Será que a velocidade de evolução do mundo actual é a responsável pelo afastamento cada vez maior entre os países e pessoas desenvolvidas e os outros ditos do terceiro mundo?
Ao privilegiar o desenvolvimento, podemos estar a criar as condições adequadas para afastar cada vez mais os pólos e determinar de uma vez por todas o fim da evolução.
Vale a pena pensar nisto...
"Nenhuma ilusão pode sustentar-se contra a realidade. A realidade vai esmagá-la mais cedo ou mais tarde." OSHO - "Pepitas de Ouro" - ISBN 85-7312-006-1
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