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Jet Ski – Desporto Global ou negócio local?
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- Categoria: Marketing
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O caminho que o Jet Ski tem à sua frente terá de ser uma opção entre uma estrutura desportiva sólida e reconhecível, privilegiando a formação e o desenvolvimento do atleta dentro da modalidade, não perdendo a sua capacidade de proporcionar um espectáculo desportivo de uma das modalidades aquáticas mais dinâmicas da actualidade. |
Para o Jet Ski, basta olhar ao redor e aprender com outras modalidades, com o objectivo de poder vir a ser um desporto global ou continuar a ser um negócio local.
O que é?
Jet Ski é a denominação comummente atribuída a um conjunto de aparelhos de diversão e competição em água, que se podem subdividir em 3 grandes grupos: Ski, Sport e Mota de Água.
O sistema de propulsão do Jet Ski baseia-se na produção de um jacto de água por uma hélice colocada internamente, sem contacto à vista com a água e que, através de um mecanismo de circulação de água, permite a propulsão, gerando um jacto que impulsiona o aparelho para a frente.
Este sistema foi inicialmente idealizado pela Kawazaki, detentora do nome Jet Ski, quando pretendeu desenvolver um engenho de navegação para uma pessoa, com fins lúdicos e práticos e é hoje usado por todas as marcas fabricantes. O nome foi escolhido pelo facto de os aparelhos se assemelharem a Skis aquáticos e serem propulsionados por um jacto de água.
O primeiro Jet Ski produzido em massa pela Kawasaki foi o JS400 tendo sido lançado no mercado em 1976.
Hoje a modalidade é conhecida pelo dinamismo dos seus movimentos e pela espectacularidade que apresenta na água.
Realidade Organizativa
Após a entrada no mercado dos aparelhos Kawasaki, e porque esta inovação teve lugar nos EUA, povo tradicionalmente competitivo, surgiram organizações locais com o intuito de promover provas, das quais se destacou a International Jet Ski and Boating Association, IJSBA, associação americana da modalidade tida como a mais antiga e emblemática em todo o mundo.
A IJSBA tem sabido manter ao longo dos anos a promoção de uma prova emblemática, o Lake Havasu World Finals, prova reconhecida por uma grande quantidade de pilotos de todo o mundo como um Campeonato Mundial e onde atribui os auto-denominados “Títulos Mundiais”. Este reconhecimento da generalidade dos pilotos e organizações de todo o mundo deriva da tradição a antiguidade da IJSBA e não da existência de uma estrutura legitimada de gestão global da modalidade.
A prática e competição de Jet Ski é ainda hoje feita um pouco por todo o mundo sob a égide das Federações de Motonáutica, situação que deriva da ausência de uma estrutura própria de controlo e coordenação da modalidade.
Não obstante, registamos actualmente a ocorrência de 2 fenómenos: A constituição e independência de Federações Nacionais de Jet Ski em alguns países onde a modalidade é mais fortemente praticada e o aparecimento de estruturas privadas comerciais que organizam provas nacionais e internacionais com fins lucrativos.
De um ponto de vista desportivo, os títulos que hoje em dia são atribuídos, continentais e mundiais carecem de legitimidade e reconhecimento oficial, isto porque a modalidade não tem uma organização mundial reconhecida, nos moldes em que globalmente se reconhece o desporto a nível internacional.
Interesses pessoais no desporto
Pelo facto de a modalidade não estar regulada com os princípios organizativos e estruturais do desporto reconhecido pelo Comité Olímpico Internacional, e ainda pelo facto de ser um desporto em que existe necessidade de investimento significativo em máquinas e equipamentos (jet ski ou mota de água e equipamentos pessoais do piloto), este é um terreno fértil para projectos de índole comercial com fins lucrativos.
É frequente encontrarmos pessoas com intervenções simultâneas nos organismos desportivos do país que tutelam a modalidade (Federações Nacionais ou promotores) e em empresas que comercializam máquinas, equipamentos e acessórios para a prática da mesma.
Infelizmente também já se verificou por algumas vezes a alteração das regras de modo a permitir a inclusão de novos equipamentos ou máquinas, gerando polémicas e injustiças desportivas conhecidas de quem pratica e acompanha a modalidade.
Principais Problemas que a modalidade enfrenta
O problema nuclear da modalidade é não ser reconhecida pelo Comité Olímpico Internacional como um desporto. Este facto deve-se ao historial de dependência em relação à motonáutica e à não existência de uma identidade própria. Existem diferenças marcantes entre um Jet Ski e um barco que não são do conhecimento geral e ainda não foram suficientemente proclamados pelas organizações da modalidade.
A existência de interesses pessoais e objectivos de lucro nas organizações de Jet Ski são um obstáculo ao desenvolvimento da modalidade dando uma imagem de um “Desporto” com “demasiados interesses comerciais” para ser considerado um desporto na verdadeira acepção da palavra.

Qual o caminho a seguir?
O reconhecimento do Jet Ski por parte do Comité Olímpico Internacional poderá ocorrer mediante o cumprimento de um conjunto de pressupostos, dos quais se destaca o facto de esta modalidade ter uma estruturação/organização mundial semelhante aos desportos comuns. Deve ter uma Federação Mundial, Federações Continentais, Federações Nacionais, Associações Regionais/Distritais, Clubes e por fim Atletas. É deste modo que se estruturam os desportos reconhecidos e se o Jet Ski pretende sê-lo, deve seguir o exemplo.
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A formação é uma área nuclear para o desenvolvimento de qualquer desporto. Só existe competitividade quando há conhecimento partilhado e estruturas de formação que motivem o empenho e o rendimento. Salvaguardando a margem necessária ao investimento e desempenho pessoal, o Jet Ski não se desenvolverá se o know-how continuar a ficar fechado dentro das equipas.
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É necessário dotar a modalidade de uma estrutura em que seja permitida uma progressão dos atletas, categorizando e uniformizando os vários escalões etários.
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É necessária a existência de um livro de regras mundial com base no qual se possam organizar os eventos internacionais, potenciando desse modo as participações internacionais em condições de igualdade e com mais verdade desportiva.
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É necessário percorrer um caminho em que a máquina não seja condição suficiente para a vitória, antes pelo contrário, seja condição de partida, e o piloto assuma um carácter diferenciador.
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É necessário que o Jet Ski conquiste a sua independência em relação a algumas marcas, fabricantes e sponsors que, com o objectivo de lucro e na condição de financiarem ou não a actividade, influenciam as regras e as grandes opções estratégicas da modalidade, vendando-lhe a possibilidade de ser aceite como um desporto.
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Este caminho foi já percorrido por outras modalidade como o Motocross e a Formula 1, que souberam criar standards em que as máquinas não representam vantagens competitivas à partida, deixando uma larga e interessante margem de progressão para a formação de pilotos e mesmo assim, deixando uma janela de oportunidade para investigação e desenvolvimento de novos equipamentos.
Para o Jet Ski, basta olhar ao redor e aprender com outras modalidade, com o objectivo de poder vir a ser um desporto global ou continuar a ser um negócio local.
Este artigo encontra-se publicado em:
Spain Sports Network
http://www.spainsportsnetwork.com/2011/04/jet-ski-¿deporte-global-o-negocio-local/
Vale a pena pensar nisto...
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