O Atleta e o seu espaço

Neste artigo foca-se a relação do atleta com o espaço onde actua e as influências que sofre do mesmo, numa perspectiva de espaço de competição mas também de espaço de preparação para a prova.

Inclui-se opiniões obtidas em entrevista com as arquitectas Alexandra Morgado e Helena Carqueijeiro da PlanKi.

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A SUSTENTABILIDADE EXPLICADA

Para melhor compreensão do conceito de sustentabilidade no desporto e na organização de eventos desportivos é necessário perceber à partida os 3 vectores que compõe todo o processo - Sociedade, Ecologia e Economia - bem como as relações que se estabelecem entre estes.

  

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O que é um plano estratégico para um clube desportivo?

Um planeamento estratégico é um processo de gestão definido num documento estruturado onde é feita uma análise da realidade histórica e actual de uma determinada organização (interna e externamente), e, com base nessa análise e nos objectivos delineados, se propõe um conjunto de estratégias e programas de acção que, a serem implementados com as directrizes indicadas, conduzem a organização à consecução dos objectivos delineados.

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Os Jogos Olímpicos na sociedade moderna

Os Jogos Olímpicos beneficiaram muito com o desenvolvimento dos transportes

Dependendo da localização da cidade anfitriã, muitos atletas de todo o mundo vêm-se obrigados a viajar grandes distâncias. Nos Jogos Olímpicos de 1904 em Saint Louis e de 1932 em Los Angeles, nos EUA, o número de participantes foi muito menor que habitualmente porque muitos atletas não tiveram possibilidade de fazer uma viagem tão longa.

 

 

Para os Jogos Olímpicos de Los Angeles (1932), os atletas europeus tiveram de viajar até Nova York de barco. De seguida atravessaram o continente americano de comboio até Los Angeles, o que perfez um tempo total de viagem de 3 semanas. Uma vez que o regresso foi feito do mesmo modo, alguns competidores tiveram de abdicar das suas férias de 3 anos para poderem ter disponíveis as 10 semanas que precisaram para esta aventura Olímpica!

A maioria das cidades anfitriãs antes da 2ª Guerra Mundial foram europeias e os atletas que participaram nos Jogos foram maioritariamente ocidentais.

Em 1956 os Jogos tiveram lugar na Oceânia (Austrália). Pela primeira vez, a maioria dos 3178 competidores viajaram de avião até Melbourne. Este novo desenvolvimento, apenas possível graças ao desenvolvimento dos transportes aéreos, rapidamente se tornou essencial para a organização dos Jogos Olímpicos.

Em 1964 foi a vez do continente Asiático organizar os Jogos que tiveram lugar na cidade de Tokyo no Japão, e em 1968 a cidade do México foi a primeira a receber os Jogos na América Latina.

Até hoje, os Jogos Olímpicos tiveram lugar em todos os continentes excepto na África.

 

Os media colocam os Jogos aos alcance de todos

A Televisão deu uma contribuição enorme para o crescimento da popularidade dos Jogos Olímpicos.

Apesar de terem sido feitos testes em 1936 e em 1948, foi apenas em 1956 que os Jogos de Inverno em Cortina d’Ampezzo (Itália) foram transmitidos ao vivo, embora em pequena escala.

A partir dos Jogos de 1960 em Roma (Itália), a maioria dos países europeus passou a ter acesso a transmissões ao vivo das competições.

Para os EUA, Canadá e Japão era enviada todos os dias uma cassete por avião, o que significava que as competições podiam ser visualizadas com apenas algumas horas de atraso. As imagens eram montadas em filme e enviadas para Ásia, África, Oceânia e América do Sul com 2 semanas de desfasamento.

A audiência Olímpica acabou por ser muito maior do que apenas os espectadores presentes no estádio.

Desde os Jogos de 1964 em Tokyo, que as imagens são transmitidas por satélite com apenas alguns segundos de desfasamento. Hoje, espectadores de todo o mundo podem acompanhar os resultados das várias provas ao vivo. Em 1968, os Jogos Olímpicos de Inverno em Grenoble (França) foram os primeiros a ser transmitidos ao vivo e para televisão a cores.

Graças a desenvolvimentos tecnológicos posteriores a qualidade da imagem melhorou enormemente. A introdução de imagens em câmara lenta permite que os movimentos dos atletas sejam vistos em grande detalhe e câmaras subaquáticas conseguem mesmo levar a audiência para dentro da piscina com os competidores.

Hoje em dia as cadeias televisivas compram os direitos de transmissão dos Jogos que representam aproximadamente metade da receita do movimento Olímpico. Apesar disso, o Comité Olímpico Internacional permite que cadeias televisivas menos abastadas transmitam imagens dos Jogos Olímpicos. Isto significa que os amantes do desporto em todo o mundo podem acompanhar a performance dos campeões.

O fenómeno da televisão ajudou os Jogos Olímpicos a tornarem-se um dos eventos desportivos mais vistos do mundo!

 

Exploração Política dos Jogos

Por estarem na vanguarda do cenário internacional, os Jogos Olímpicos têm potencial para serem usados como uma ferramenta de propaganda e um instrumento de interesses políticos.

Eis alguns dos exemplos mais conhecidos:

  • Em 1936 em Berlim (Alemanha), o regime nazista apropriou-se dos Jogos. Nos anos que antecederam a 1936, vários governos e organizações desportivas manifestaram as suas preocupações sobre o regime e as suas políticas. A ameaça de um boicote pairava sobre os Jogos mas no final foram maioritariamente convicções individuais que impediram alguns atletas de participar.
  • Em 1956, em Melbourne (Austrália), a crise de Suez e opressão soviética na Hungria provocaram uma forte reacção de alguns países, que se recusaram a enviar os seus atletas para os Jogos.
  • Em 1968, na Cidade do México (México), os atletas americanos Tommy Smith e John Carlos manifestaram-se contra a segregação racial no seu país. Enquanto estavam no pódio para receber as suas medalhas dos 200m, levantaram os punhos com luvas negras, e inclinaram a cabeça, quando a bandeira americana foi levantada. Através deste gesto mostraram o seu apoio à “Black Power”, movimento que lutava contra a discriminação contra os negros nos EUA. Como resultado desta acção foram mandados mais cedo para casa.
  • Em 1972, em Munique (Alemanha), terroristas palestinos tomaram como reféns atletas Israelitas. O evento terminou em tragédia, com nove reféns executados e a morte de um polícia e dois outros membros da delegação Israelita. Os terroristas foram mortos pela polícia.
  • Em 1976, em Montreal (Canadá), 22 países (maioritariamente Africanos) boicotaram os Jogos para protestar contra uma recente digressão pela África do Sul da Equipa de rugby da Nova Zelândia, que impôs o apartheid.
  • Em 1980, em Moscovo (União Soviética), os Estados Unidos convocaram um boicote global em resposta à invasão soviética do Afeganistão. Os atletas americanos foram proibidos de participar dos Jogos sob a ameaça de os seus passaportes serem confiscados. Outros países seguiram o exemplo dos EUA e não viajaram até Moscovo.
  • Em 1984, em resposta ao boicote americano de 1980, a União Soviética recusou-se a participar dos Jogos em Los Angeles (EUA). As razões oficiais divulgadas foram a comercialização dos Jogos e a existência de garantias de segurança insuficientes para os atletas. Quando alguns países usam os Jogos Olímpicos para fins políticos, o ideal olímpico é colocado em causa. No entanto, a celebração olímpica pode ser usada para melhorar as relações entre países e comunidades.

 

  

O Papel diplomático dos Jogos

Desde 1950 que os Jogos Olímpicos têm proporcionado uma oportunidade única para os países recém-criados se mostrarem ao mundo. A sua participação nos Jogos tem levado a um reconhecimento internacional mais alargado (por exemplo, certos países Africanos e repúblicas da antiga União Soviética).

Chegou mesmo a acontecer que a participação de alguns atletas nos Jogos tenha precedido a criação política do seu país (por exemplo, Timor Leste, um pequeno país localizado ao lado da Indonésia, que tem sido independente desde 2002). 

  • Na Cerimónia de Abertura dos Jogos de 2000 em Sydney (Austrália), a Coreia do Sul e a Coreia do Norte desfilaram juntas sob uma única bandeira. Este foi um acto sem precedentes desde a ruptura das relações diplomáticas entre os dois países após a Guerra da Coreia (1950-1953).
  • Também em Sydney, a situação dos aborígenes foi notícia de primeira página de alguns jornais tendo sido organizados vários eventos para tornar as suas reivindicações conhecidas. A fase final da transmissão da Tocha Olímpica coube à atleta aborígene Cathy Freeman, tendo a cultura do povo aborígene sido um dos destaques da cerimónia de abertura.
  • Nos Jogos de 2004 em Atenas, apesar da guerra vivida no seu país, a equipa de futebol Iraquiana classificou-se para o torneio olímpico e alcançou as meias-finais

 

Este trabalho foi realizado com consulta a “The modern Olympic Games” - The Olympic Museum, 2nd Edition, 2007

Vale a pena pensar nisto...

"Você nasce sem pedir e morre sem querer - aproveite o intervalo!" - anónimo